terça-feira, 5 de março de 2013

A MALDITA SEMENTE DO ÓDIO




Obadias 1

 Introdução

Obadias é o menor dos livros do AT contendo apenas um capítulo. Trata sobre um profeta de nome comum que pregou a uma nação estrangeira – Edom – gerada do mesmo sangue de Israel, pois era descendência de Esaú, irmão de Jacó. Outros dois profetas pregaram o juízo contra nações estrangeiras (Jonas e Naum, contra Nínive).
Como Israel sofreu cinco invasões dos Edomitas, a data do livro é totalmente incerta. O nome do autor significa “servo do Senhor” ou “adorador de Iavé”.
Na verdade, o livro mostra o juízo de Deus contra Edom e ensina a Israel que apesar do juízo vir contra o povo inimigo, Deus ensinaria seu povo a retribuir a maldade de Edom com justiça generosa, não com vingança.
Esse livro trata de uma briga muito antiga que nunca foi resolvida por quem nunca deveria ter permitido que ela começasse. Ela está relacionada a erros cometidos no passado por uma família muito especial na gênese da nação de Israel: Isaque, Rebeca, Esaú e Jacó.

Questões não resolvidas geram problemas por toda a vida

Primeira lição: Nunca subestime os pequenos problemas; eles podem tornar-se um grande mal.
Tudo começou lá atrás, cerca de 1.500 anos antes, dentro de um mesmo ventre. A bíblia relata que Jacó e Esaú eram gêmeos que estavam sendo gerados no ventre de Rebeca. Eram filhos da promessa que vieram depois de vinte anos de oração e espera. Entretanto, desde o ventre materno, um queria dominar o outro e seus pais não souberam administrar corretamente o relacionamento dos filhos (Gênesis 25.19-26).

Segunda lição: Nunca tente mudar ou manipular os planos de Deus.
Em sua soberania, Deus já havia determinado que o mais velho serviria o mais novo. A linhagem de Jesus passaria por Jacó e não por Esaú. A escolha Divina nunca se baseia por méritos porque os dois não eram nascidos quando Deus fez sua escolha. Veja o que Paulo escreveu sobre isso: E esse não foi o único caso; também os filhos de Rebeca tiveram um mesmo pai, nosso pai Isaque. Todavia, antes que os gêmeos nascessem ou fizessem qualquer coisa boa ou má — a fim de que o propósito de Deus conforme a eleição permanecesse, não por obras, mas por aquele que chama — foi dito a ela: "O mais velho servirá ao mais novo". Como está escrito: "Amei Jacó, mas rejeitei Esaú." (Romanos 9.10-13). A eleição Divina é baseada totalmente na graça e não em merecimentos.
Isaque queria abençoar a Esaú, embora certamente soubesse que Deus havia escolhido a Jacó. Rebeca amava mais a Jacó e tentou dar um empurrãozinho no propósito de Deus, como se Ele precisasse da sua interferência.
Esses erros custaram muito caro à família. Jacó fugiu de casa para não ser morto pelo irmão. Esaú alimentou um ódio mortal pelo irmão e passou a vida em sua procura a fim de matá-lo. Rebeca nunca mais viu os filhos, chamou maldição à si mesma e ainda morreu sem ver a reconciliação. Isaque envelheceu e morreu sem nunca mais ver os filhos.
Sobre este ódio que atravessou as eras, o Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho escreveu:
“Entre os dois irmãos surgiu uma animosidade que, mesmo solucionada no nível pessoal, atravessou os séculos e se projetou na história, no relacionamento entre seus descendentes. Um ensino que podemos tirar do relacionamento turbulento entre esses dois povos é que o ódio se arraiga tão profundamente que, mesmo desaparecidos os motivos que o ocasionaram, ele pode continuar. O ódio é irracional e se alastra perigosamente. Se não for contido, suas seqüelas podem ser perigosas.”
De Jacó, veio Israel. De Esaú, veio Edom. Duas nações inimigas por toda a história bíblica. Diversas vezes Israel foi afligida por Edom. O profeta Amós denunciou a falta de perdão dos Edomitas: “Assim diz o SENHOR: ‘Por três transgressões de Edom, e ainda mais por quatro, não anularei o castigo. Porque com a espada perseguiu seu irmão, e reprimiu toda a compaixão, mutilando-o furiosamente e perpetuando para sempre a sua ira, porei fogo em Temã, que consumirá as fortalezas de Bozra’." (Amós 1.11-12).

A resposta de Deus ao ódio do homem

O ódio é uma semente destruidora. Quem alimenta o ódio dentro de si, vive em constante sofrimento e amargura e não pode caminhar numa vida de retidão porque seu objetivo é sempre semear o mal e a discórdia entre as pessoas. Torna-se uma pessoa amarga, mal humorada e cheia de veneno a desferir contra aqueles a quem considera como seus desafetos.
Qual é a resposta de Deus ao ódio do homem? O livro de Obadias pode nos levar a essas respostas e nos ajudar a vencer esse terrível mal e escapar das ciladas que Satanás nos prepara com o objetivo de nos destruir:

Deus zela pelo povo de sua aliança
Israel estava sendo violentamente atacado pelo poderoso exército da Babilônia e isso provocava a zombaria dos Edomitas. Entretanto, o curso da história seria radicalmente alterado. Os que estavam no topo cairiam e os que estavam por baixo seriam elevados rumo ao topo. Deus tem zelo pelo povo da sua aliança. Judá seria restaurada à terra de sua possessão, enquanto que Babilônia e Edom seriam apagados da terra (Ml 1.2-5).
A vitória não é dos fortes e nem dos poderosos, mas daqueles que esperam no Senhor. Isaías 40.31, diz: mas aqueles que esperam no Senhor renovam as suas forças. Voam bem alto como águias; correm e não ficam exaustos, andam e não se cansam.”

O orgulho precede a ruína
Os Edomitas habitavam o monte Seir, uma cordilheira de montanhas rochosas. Ali estava a sua capital Selá e eles se vangloriavam de sua posição estratégica de ataque nas alturas. Nunca haviam sido saqueados e assim se sentiam protegidos no meio de uma fortaleza natural.
Mas Deus diz por intermédio do profeta Obadias que, ainda que subissem tão alto como a águia ou fizessem seu ninho entre as estrelas, Ele os derrubaria dali (v.4).
Hernandes Dias Lopes diz que a soberba é a sala de espera do fracasso. A bíblia nunca apoiou os altivos, os autosuficientes. O ódio cria uma barreia em nós, levando-nos a uma falsa sensação de segurança em nossos sentimentos. Entretanto, o sábio Salomão nos ensina que a soberba precede a ruína. Ele diz em Provérbios 16.18: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.”

Quem semeia vento, colhe tempestade
Aqueles que semeiam o mal colhem o mal. O mal que Edom fez a Judá caiu sobre a sua própria cabeça. O próprio livro de Obadias traz toda a menção do juízo de Deus sobre os Edomitas em vários versículos.
O apóstolo Paulo nos ensina que querer fazer o mal e receber em troca o bem é o mesmo que zombar de Deus, e de Deus ninguém zomba! “Não se deixem enganar: de Deus não se zomba. Pois o que o homem semear, isso também colherá.” (Gálatas 6.7).
Aquele que se humilha será exaltado
Os reinos do mundo têm pés de barro. Um dia todos eles se tornarão pó. Foi assim no passado, é assim no presente e será assim no futuro. Porém, o Reino de Deus se erguerá invencível, vitorioso e eterno.
Edom caiu, Babilônia caiu, o império medo-persa caiu, o império grego caiu, o império romano caiu, outros impérios caíram e assim todos os demais impérios também cairão, mas o Reino será do Senhor. Veja o que diz o último versículo de Obadias: “Os vencedores subirão ao monte Sião para governar a montanha de Esaú. E o reino será do SENHOR.” (v.21).
Jesus é o nosso maior exemplo. Ele foi humilhado até a morte, e morte de cruz e por isso recebeu um nome que está acima de todo nome no céu e na terra. Na visão de Patmos, o apóstolo João escreveu: “O sétimo anjo tocou a sua trombeta, e houve altas vozes no céu que diziam: ‘O reino do mundo se tornou de nosso Senhor e do seu Cristo, e ele reinará para todo o sempre’.” (Apocalipse 11.15).
A maior arma para vencermos o ódio, portanto, é a humilhação. Reconhecer que nada somos e que Deus agirá em nosso favor. Você tem desejo de vingança nutrido pelo seu ódio? Então medite na orientação do apóstolo Paulo ao seu coração: “Amados, nunca procurem vingar-se, mas deixem com Deus a ira, pois está escrito: ‘Minha é a vingança; eu retribuirei’, diz o Senhor.” (Romanos 12.19).

Conclusão

O ódio e o desejo de vingança são uma doença crônica que ataca o coração, a mente e a alma das pessoas de todo o mundo. Não permita que isso mine seu coração a ponto de tornar o caminho de volta cada vez mais longo e consequentemente desastroso. Liberte-se já em nome de Jesus!
O ódio gerado na família de Isaque atravessou gerações, culminando com os Idumeus, descendência dos Edomitas que terminaram na geração dos Herodes que viveram a partir dos dias de Jesus. Foram quatro Herodes: Herodes, o Grande, foi o que mandou matar as crianças de Belém, com o propósito de eliminar o bebê Jesus. Herodes Antipas foi o rei que mandou matar João Batista. Herodes Agripa I foi o rei que mandou matar Tiago e Pedro e terminou devorado por vermes por não ter dado glórias a Deus. Herodes Agripa II casou-se com sua própria irmã Berenice e foi o homem que esteve diante de Paulo em Cesaréia e não aceitou render-se a Cristo. Assim, os últimos descendentes de Esaú terminaram suas vidas de forma trágica e ainda em oposição aos descendentes de Jacó.  
Para concluir guarde em seu coração o doce conselho do apóstolo Pedro: “Livrem-se, pois, de toda maldade e de todo engano, hipocrisia, inveja e toda espécie de maledicência. Como crianças recém-nascidas, desejem de coração o leite espiritual puro, para que por meio dele cresçam para a salvação, agora que provaram que o Senhor é bom.” (I Pedro 2.1-3).

Pr. Elias Manoel – 01/11/2012

CULTO OU SHOW?





Amós 5.21-24

Introdução

Eugene H. Peterson, pastor e escritor, defende a idéia de que mais pessoas são exploradas por causa da religião do que por qualquer outro motivo. Ele diz que sexo, dinheiro e poder cedem lugar à religião como principal motivo de ações maldosas.
Realmente, há muito poder na religião. Basta dizer que Deus está falando e a manipulação pode começar a acontecer. Sempre foi assim na história da humanidade e é assim até hoje. A jornalista Marília de Camargo César escreveu o livro “Feridos em nome de Deus”, onde retrata a forma triste e devastadora com que as religiões e seus líderes podem influenciar a vida das pessoas, tomando-lhes até mesmo o direito de ser.
Os profetas bíblicos continuam sendo uma forte voz neste mundo no ensino de uma vida religiosa pura, honesta, digna e cheia de compaixão. Os verdadeiros profetas de Deus jamais se curvavam para uma vida dupla, ou seja, religiosidade por fora e podridão por dentro. Denunciavam o erro sem se importar se ele partia do povo ou de seu rei.
Em meio a essa falsa religiosidade do povo e a corrupção do reino, levanta-se o profeta Amós, natural de Tecoa (local situado a 20 km ao sul de Jerusalém) homem pobre, simples e comum; criador de ovelhas e colhedor de sicômoros (figos silvestres), nascido no Reino do Sul para profetizar contra o Reino do Norte e que vem exatamente denunciar a falsa religiosidade do povo e deflagrar a tremenda corrupção e injustiça operada pelos seus governantes (Amós 1.1 e 7.14-15).
Dentre tantos apelos do profeta, um dos mais eloqüentes é contra a banalização do culto, contra a desconstituição do sagrado. Deus não estava se agradando do culto que era prestado pelo povo.
A igreja de nossos dias também precisa desta mensagem. Temos visto muito de profano no culto sagrado e muito vazio onde deveria haver plenitude do Espírito. Cânticos pobres, poesias vazias e repetitivas, letras recheadas de paixão e secas de ensino. Na verdade, cultos com pouca adoração e muita performance; mais engrandecimento do homem do que humilhação perante Deus. Como diz o Pr. Hernandes Dias Lopes, as pessoas estavam cantando o hino “Grandioso és tu” olhando para o espelho.
Amós é um profeta contemporâneo, portanto. A lição que serviu para Israel serve também para a igreja de nossos dias.

Religiosidade sem sinceridade

Amós diz que o povo de Israel ia ao templo de Gilgal e demonstrava uma religiosidade invejável e rigorosa: festivais, sacrifícios, ofertas e muita música (v.21). Diz ainda que eles mantinham os rituais como se tudo estivesse na mais perfeita ordem na relação com Deus e com o próximo (v.22). Finalmente, que o culto era repleto de canções e instrumentos musicais que abrilhantavam as celebrações de alegria e entusiasmo (v.23).
Entretanto, tudo isso não passava de barulho aos ouvidos de Deus, porque o culto era separado da vida. Paulo diz que o culto que agrada a Deus é o culto racional (Rm 12.2). O culto racional é o culto inteligente e coerente. Isso significa que se o culto que oferecemos no templo estiver distante do culto que oferecemos a Deus em casa, no trabalho, nos momentos de lazer, ou seja, nas relações interpessoais, esse culto não tem o menor significado na presença do Senhor.

Empolgação sem transformação

Não pode haver uma passagem na bíblia que mais demonstra a expressão do desgosto divino com o culto pomposo dos israelitas do que esta com as palavras: “odeio... desprezo... não suporto... não me agradarei... não darei a menor atenção... afastem de mim...” (vs.21-23).
O profeta ensinou a Israel que a religião significa muito mais que um culto, e que não é a fumaça ou o aroma do holocausto que é aceitável a Deus, mas o incenso de um coração sincero e leal. 
Temos visto muita empolgação nos cultos cristãos. Especialmente no momento dos cânticos e hinos. Alguns cânticos levam a tanta emoção que as pessoas não conseguem sequer se conter. Outros, com os hinos, são tão levados pelo saudosismo que se esquecem das riquezas e responsabilidades contidas em suas letras tão marcantes e poderosas.
Falamos e cantamos muita adoração, muita exaltação. Isso é bom. Mas é preciso que cantemos e preguemos sobre a cruz, o sacrifício, a contrição, o arrependimento, o perdão de pecados, a ressurreição. Quantas músicas ouvimos enfatizando temas como estes nos dias de hoje?
O Pr. Isaltino Gomes Coelho Filho, meditando neste mesmo texto de Amós 5, diz que hoje pensamos como Israel, ou seja, adoramos a Deus que, subornado com cânticos, nos dá vitória. Entretanto, Deus quer santidade e não cânticos. Nosso louvor não o muda, mas nossos pecados o levam a indignar-se conosco. O Pr. Isaltino diz ainda que antes de sermos adoradores (o que não é tão relevante assim) devemos ser servos.

Retidão e justiça

Amós fecha esse ciclo com o v.24: “Em vez disso, corra a retidão como um rio, a justiça como um ribeiro perene.”
Deus estava cansado do espetáculo de uma religião show. Justiça e retidão têm mais valor aos olhos de Deus do que rituais religiosos. Obediência é mais importante do que sacrifício. Religião sem retidão e justiça não é religião bíblica.
A palavra religião vem do termo latim religare que significa religação com o divino. Entretanto, de nenhum valor tem a ligação vertical (homem e Deus) se primeiro ela não for horizontal (homens entre si).
Os tempos são outros, mas os pecados são os mesmos. A igreja evangélica brasileira cresce, mas não tem ética. Ela diz que vai tomar o Brasil, mas enquanto ela mais cresce, mais o país se corrompe. Os políticos evangélicos, com raras exceções aparecem cada vez mais envolvidos em escândalos de corrupção. A imprensa brasileira proclama que as três classes profissionais mais desacreditadas no Brasil são os políticos, os policiais e os pastores. A igreja faz para agradar-se a si mesma. Infelizmente muitas igrejas hoje crescem com pompa e visibilidade, mas sem transparência e irrepreensibilidade.
Contudo, este verso final pode ser uma ponta de esperança vinda da parte de Deus para o Seu povo. Uma mudança ainda é possível. Aqueles que procuram adorar o nome do Senhor devem ser os mesmos que honram o Seu caráter tanto em palavras como em ações. O interesse pelos direitos e pelo bem-estar do povo de Deus flui como um rio abundante, do Seu próprio coração. Quem deseja servi-lo, deve acompanhar esse fluxo.

Conclusão

Amós deixa claro que Deus procura vida, e não culto. Ele busca adoradores, e não adoração. Enfim, Deus se agrada mais da vida do que do desempenho. Deus prefere mais o ofertante que a oferta.
Não podemos nos reunir como igreja para receber entretenimento. O culto deve ser edificação! Nossa vida deve ser um culto; não um show!
Para encerrar, o apostolo Tiago nos dá em sua carta o conceito bíblico do que a verdadeira religião: “Religião de verdade, que agrada a Deus, o Pai, é esta: cuidem dos necessitados e desamparados que sofrem e não entrem no esquema de corrupção do mundo sem Deus.” (Tiago 1.27 – Bíblia A Mensagem).

Pr. Elias Manoel – 04/10/2012

SINAIS DA DISTÂNCIA




Joel 1.1-12

INTRODUÇÃO

Quase nada se sabe acerca do profeta Joel. A bíblia não nos traz detalhes de sua vida pessoal, a não ser de que era filho de Petuel que também é um desconhecido. Não se sabe sequer a época em que viveu, embora é provável que tenha sido um dos primeiros profetas. Pelas freqüentes menções de Judá e Jerusalém, possivelmente foi um profeta do Reino do Sul.
O tema central de seu livro é o castigo divino representado pelo Dia do Senhor. Primeiro há um juízo sobre o povo escolhido, imposto por meio de uma praga de gafanhotos. Esse é retirado por meio de jejum e oração. Depois vem a descrição do terrível dia do juízo final, que atinge todas as nações. Os fiéis serão premiados e os malfeitores castigados.
O cumprimento de uma das predições de Joel no dia de pentecostes deu ao seu livro um lugar muito importante no pensamento cristão.
O início do livro é um chamado ao arrependimento. Arrepender-se é voltar atrás, retornar. Ainda que se esteja distante. Entretanto, isso nem sempre isso é compreendido facilmente e, por esta razão, muitas vezes, é preciso que Deus alerte de maneira severa. Como fez com Israel quando foi devastada por uma praga de gafanhotos.
Quando se está longe de Deus, essa distância produz mais do que um afastamento geográfico. Produz esquecimento, relaxamento, perda da referência. É por isso que os afastados afundam e sofrem ainda mais. Vejamos algo sobre esses sinais da distância e como eles podem representar um chamado ao arrependimento.
CASTIGO SOBRE CASTIGO

O texto fala de uma praga de quatro espécies de gafanhotos: O cortador, o migrador, o devorador e o destruidor. (v.4). Não se sabe exatamente o sentido dessas palavras. Alguns defendem que seriam os reinos que dominariam e subjugariam Israel: a Assíria, a Babilônia, a Grécia e finalmente Roma. Isso pode estar ligado ao que lemos nos vs.6-7. Outros afirmam que o ataque foi tão feroz que gafanhotos de espécies diferentes atacaram as plantações de forma simultânea e devastadora, a ponto de destruir o trigo e secar as parreiras. Seja qual for a interpretação apropriada, nesse ataque de insetos Joel compreende que Deus estava operando.
Não se trata de um Deus cruel. Trata-se de escolhas que são feitas e que consequentemente geram punição. Muitas vezes as pessoas colocam sobre Deus ou sobre o Diabo os erros e os pecados que cometem. Na verdade, elas podem estar equivocadas! É preciso olhar para trás e ver onde efetivamente erramos.
A bíblia ensina que um abismo chama outro abismo, ou seja, um castigo traz outro castigo. É preciso estar atento aos sinais de Deus em meio às disciplinas que recebemos por nossos pecados.
Isaías 59.2, diz: “Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá.”
Assim como os pecados de Israel deveriam produzir neles atos de arrependimento como jejum, humilhação e intercessão, o mesmo deve acontecer conosco nos dias de hoje. É tempo de lamentar pelo pecado e de agir contra o pecado. Será que temos lamentado sobre nossos pecados? Como tem sido nossa atitude de arrependimento diante do Senhor por nossas faltas? Não basta apenas dizer: “Senhor, me perdoe!” É preciso que digamos: “Senhor, eu vou mudar!”

PERDA DA MORAL

O v.5 chama atenção dos bêbados. Esse é o único pecado nominal apontado no texto. As parreiras haviam sido destruídas pelos gafanhotos então não haveria mais vinho. A idéia é de que o pecado moral do povo havia lhes tirado completamente a percepção da santidade do Senhor.
Como cristãos devemos estar atentos para que os prazeres e os enganos do mundo não entrem na vida da igreja e nos façam perder o senso da moralidade e assim nos distanciarmos do nosso Deus.
Essa perda de referência faz as pessoas se tornarem mais amantes do mundo do que de Deus; dando mais valor as coisas materiais do que as espirituais.
Paulo alertou sobre isso a Timóteo: Saiba disto: nos últimos dias sobrevirão tempos terríveis. Os homens serão egoístas, avarentos, presunçosos, arrogantes, blasfemos, desobedientes aos pais, ingratos, ímpios, sem amor pela família, irreconciliáveis, caluniadores, sem domínio próprio, cruéis, inimigos do bem, traidores, precipitados, soberbos, mais amantes dos prazeres do que amigos de Deus, tendo aparência de piedade, mas negando o seu poder. Afaste-se também destes.” (II Tm 3.1-5)

PERDA DO PRAZER

O v.8 trata das relações que envolvem toda a comunidade israelita, pois no original a palavra “pranteiem” está no feminino. Joel usa a figura do matrimônio para exemplificar a perda do prazer. Em Israel quando uma mulher estava prometida em casamento a um homem, ele era chamado seu marido e ela sua mulher; embora ela ainda fosse virgem. Esse versículo, portanto, se refere à idéia do homem que morreu antes de contrair o matrimônio.
Outro claro sinal do distanciamento de Deus é a perda do prazer em servi-lo. Aquilo que inflamava no coração, o desejo de ser útil, de adorar, de render louvores; vai sendo perdido e deixado de lado. É como um casamento tão esperado, mas que nunca aconteceu.
Davi, ao passar por uma crise espiritual orou ao Senhor através de um salmo dizendo: “Devolve-me a alegria da tua salvação e sustenta-me com um espírito pronto a obedecer.” (Sl 51.12)

FIM DA ENTREGA

Nos v.9,10 o lamento é pela absoluta falta da oferta de cereal (trigo) e a oferta derramada (que era uma libação de vinho) e que faziam parte do holocausto diário do povo de Israel. Os gafanhotos nada deixaram que pudesse ser oferecido como sacrifícios.
Para Josefo, a ausência dos sacrifícios diários foi a calamidade mais terrível e sem precedentes do cerco de Jerusalém. Se a profecia estiver relacionada, isso pode ilustrar quão grande foi o sofrimento espiritual do povo também nesta praga de gafanhotos. A adoração pública de Deus foi interrompida por causa da falta do que ofertar.
O castigo gerou a perda da moral, gerou a perda do prazer e consequentemente o fim da entrega. A distância de Deus provoca ausência do que ofertar. Se no coração não há mais canções de louvor, que adoração poderá ser prestada? Se nossas atitudes estão longe de ser aquilo que agrada o coração de Deus, que testemunho teremos para levar outras pessoas a Cristo? Enfim, se a vida não está nas mãos de Deus, o que se pode entregar?
Legislando sobre as ofertas, Deus advertiu o povo durante a jornada pelo deserto: "Ninguém compareça perante mim de mãos vazias.” (Ex 34.20).
O que há em suas mãos para oferecer ao Senhor?

CONCLUSÃO

Essas são os sinais que surgem quando se está distante de Deus. Infelizmente não é pequeno o número de pessoas que têm se distanciado de Deus e sofrido castigo sobre castigo por causa de seus próprios atos pecaminosos; e Deus numa tentativa desesperadora de resgate, apresenta-se em meio a essas circunstâncias oferecendo seus sinais esperando uma volta, um arrependimento.
Quando um membro se afasta da comunhão do corpo, consequentemente se afasta de Cristo e, ao ir para o mundo sua alegria seca, o culto espiritual cessa e não poderá haver paz nem segurança enquanto não ocorrer sincero arrependimento e retorno.
O livro de Joel é um chamado ao arrependimento. Evidentemente o ministério deste profeta foi mais bem sucedido do que o de muitos outros profetas, pois a condescendência de Deus indica que em algum momento o povo se arrependeria e se renderia a esse chamado de amor:
Então o Senhor mostrou zelo por sua terra e teve piedade do seu povo. O Senhor respondeu ao seu povo: "Estou lhes enviando trigo, vinho novo e azeite, o suficiente para satisfazê-los plenamente; nunca mais farei de vocês motivo de zombaria para as nações. "Levarei o invasor que vem do norte para longe de vocês, empurrando-o para uma terra seca e estéril, a vanguarda para o mar oriental e a retaguarda para o mar ocidental. E a sua podridão subirá; o seu mau cheiro se espalhará". Ele tem feito coisas grandiosas! Não tenha medo, ó terra; regozije-se e alegre-se. O Senhor tem feito coisas grandiosas! Não tenham medo, animais do campo, pois as pastagens estão ficando verdes. As árvores estão dando os seus frutos; a figueira e a videira ficam carregadas. Ó povo de Sião, alegre-se e regozije-se no Senhor, no seu Deus, pois ele lhe dá as chuvas de outono, conforme a sua justiça. Ele lhe envia muitas chuvas, as de outono e as de primavera, como antes fazia. As eiras ficarão cheias de trigo; os tonéis transbordarão de vinho novo e de azeite. "Vou compensá-los pelos anos de colheitas que os gafanhotos destruíram: o gafanhoto peregrino, o gafanhoto devastador, o gafanhoto devorador e o gafanhoto cortador, o meu grande exército que enviei contra vocês. Vocês comerão até ficarem satisfeitos, e louvarão o nome do Senhor, o seu Deus, que fez maravilhas em favor de vocês; nunca mais o meu povo será humilhado. Então vocês saberão que eu estou no meio de Israel. Eu sou o Senhor, o seu Deus, e não há nenhum outro; nunca mais o meu povo será humilhado.” (Joel 2.18-27)

Pr. Elias Manoel – 30/08/12