FOGO ESTRANHO
Levítico 10:1-7
INTRODUÇÃO
Estamos vivendo dias sombrios. As igrejas têm sofrido muito por ter líderes que não são escolhidos e vocacionados por Deus para a obra.
Cada vez é mais crescente o número de igrejas que são abertas sem bases doutrinárias, sem fundamentos sólidos, sem um exame cuidadoso das Escrituras, sem nem mesmo uma devida regulamentação jurídica.
Temos visto muita coisa acontecer em nome da fé (e que não é fé!) e muitas vezes nos assustamos com tanto ritual, tanta crendice, tantos ídolos, tantas invenções.
Temo que, por vezes, muitos estejam trazendo fogo estranho perante o Senhor. Deus abomina rituais vazios de contrição e cheios de corrupção. Essa história vai nos ensinar algumas lições sobre esse tema.
O FOGO NA BÍBLIA
A bíblia fala muito sobre fogo. Entretanto, com exceção do fogo que queimava os sacrifícios colocados no altar, tanto no AT como no NT, o fogo tem sentido de punição e juízo. Vejamos alguns textos como exemplo:
“Pois com fogo e com a espada o Senhor executará julgamento sobre todos os homens, e muitos serão os mortos pelo Senhor”. (Isaías 66.16)
“Eles destruirão a fogo as suas casas e lhe infligirão castigo à vista de muitas mulheres. Porei fim à sua prostituição, e você não pagará mais nada aos seus amantes.” (Ezequiel 16.41)
“Pela mesma palavra os céus e a terra que agora existem estão reservados para o fogo, guardados para o dia do juízo e para a destruição dos ímpios.” (2 Pedro 3.7)
“Se continuarmos a pecar deliberadamente depois que recebemos o conhecimento da verdade, já não resta sacrifício pelos pecados, mas tão-somente uma terrível expectativa de juízo e de fogo intenso que consumirá os inimigos de Deus.” (Hebreus 10.26-27)
Outras vezes o fogo aparece na bíblia com sentido de provação e perseguição aos discípulos de Cristo:
“Assim acontece para que fique comprovado que a fé que vocês têm, muito mais valiosa do que o ouro que perece, mesmo que refinado pelo fogo, é genuína e resultará em louvor, glória e honra, quando Jesus Cristo for revelado.” (1 Pedro 1.7)
Na história aqui relatada não é diferente. Conta que Nadabe e Abiú, sacerdotes, filhos do Sumo-Sacerdote Arão, pegaram seu incensário e ofereceram holocausto ao Senhor.
Já há aqui um problema. Não há qualquer menção bíblica anterior a esse episódio que pudesse autorizar ao sacerdote que queimasse o altar com o incensário. Essa função era somente do Sumo-Sacerdote. O texto de êxodo a seguir nos mostra isso claamente: “Não ofereçam nesse altar nenhum outro tipo de incenso nem holocausto nem oferta de cereal nem derramem sobre ele ofertas de bebidas. Uma vez por ano, Arão fará propiciação sobre as pontas do altar. Essa propiciação anual será realizada com o sangue da oferta para propiciação pelo pecado, geração após geração. Esse altar é santíssimo ao Senhor." (Êxodo 30.9-10)
O primeiro pecado que vemos aqui é a presunção. Nadabe e Abiú estavam achando que tinham a mesma posição hierárquica de seu pai Arão.
Em toda a Bíblia, desde os primórdios da história humana, na lei, nos reis, nos profetas, nos discipulos de Cristo e na Igreja; Deus sempre quis que a hierarquia fosse respeitada.
Quando os filhos de Arão pegaram cada um o seu incensário, nos quais acenderão fogo acrescentando incenso, trouxeram fogo estranho (profano) perante o Senhor, sem que tivessem sido autorizados, entao saiu fogo da presença do Senhor e os consumiu (vs.1,2).
ALGUMAS QUESTÕES IMPORTANTES
A importância da santidade
O texto mostra que Moisés fala com Arão e este permanece em silêncio.
As palavras de Moisés são: “Foi isto que o Senhor me disse: Aos que de mim se aproximam santo me mostrarei; à vista de todo o povo glorificado serei” (v.3).
Deus estava formando uma nação. Ele não podia afrouxar nos princípios e valores fundamentais da santidade. Isso iria em confronto até mesmo com a Sua própria natureza divina.
A importância do testemunho
O v.6a diz: “Então Moisés disse a Arão e a seus filhos Eleazar e Itamar: Não andem descabelados, nem rasguem as roupas em sinal de luto, senão vocês morrerão e a ira do Senhor cairá sobre toda a comunidade”.
Arão e seus filhos que sobreviveram deveriam mostrar sobriedade e equilíbrio. A atitude deles como guias espirituais de Israel refletiria certamente a importância que deveria ser dada às ordens de Deus. Seu testemunho deveria ser impecável. Sua falha implicaria no peso da ira de Deus sobre toda a comunidade.
A importância da misericórdia
O v.6b diz: “Mas os seus parentes, e toda a nação de Israel, poderão chorar por aqueles que o Senhor destruiu pelo fogo.”
O que o texto quer dizer é que como sacerdotes estavam reprovados, porém como filhos deveriam ser chorados.
A importância do chamado
Finalmente, o v.7 relata: “Não saiam da entrada da Tenda do Encontro, senão vocês morrerão, porquanto o óleo da unção do Senhor está sobre vocês". E eles fizeram conforme Moisés tinha ordenado.”
Os sacerdotes deveriam se manter em seus postos. A comunidade israelita precisava da fidelidade deles. Para isso, precisavam se recordar naquele instante que foram ungidos para aquela missão e nem sempre ela seria de honras e glórias. Muitas vezes traria peso, dor e sofrimento.
Permanecer próximo à entrada da Tenda do Encontro, cmo o texto diz, era o mesmo que permanecer próximo de Deus, ou seja, manter acesa em seus corações e mentes a chama da vocação e do compromisso sacerdotal firmado perante o Senhor.
CONCLUSÃO
Este episódio triste da história biblica nos ensina algumas coisas que precisamos aprender sobre nossa adoração a Deus.
Temos visto muito fogo estranho sendo apresentado perante o Senhor e precisamos vigiar nossa própria adoração ao Senhor. Vejamos o que nos adverte Hebreus 10.26-27.
Hoje, por causa do sacrificio de Jesus na cruz em nosso favor, temos livre acesso ao Pai e porisso somos todos sacerdotes.
Assim, precisamos pensar: Como temos adorado? Será que por conta de nossa presunção, de nossos pecados, não temos muitas vezes apresentado fogo estranho ao Senhor?
Encerrando, as palavras do Salmo 15 podem ser nosso direcionamento para sabermos que tipo de adoração agrada ao coração de Deus:
“Ó Deus eterno, quem tem o direito de morar no teu Templo? Quem pode viver no teu santo monte? Só tem esse direito aquele que vive uma vida correta, que faz o que é certo e que é sincero e verdadeiro no que diz. Ele não fala mal dos outros, não prejudica os seus amigos e não espalha boatos a respeito dos seus vizinhos. Ele despreza aqueles que o Deus Eterno rejeita, mas trata com respeito os que o temem. Ele cumpre o que promete, mesmo com prejuízo próprio, empresta sem cobrar juros e não aceita suborno para ser testemunha contra pessoas inocentes. Aquele que age assim estará sempre seguro.”
Pr. Elias M. Santos – 28/04/2011
Nenhum comentário:
Postar um comentário