quarta-feira, 27 de junho de 2012

ACIMA DE TODA A COMPARAÇÃO



ACIMA DE TODA A COMPARAÇÃO!

Salmo 73

Introdução

Ao longo dos séculos o povo de Deus tem perguntado se o Senhor realmente sabe tudo o que vem acontecendo na terra e, se sabe, porque permite que o mal prospere.
Diante do tamanho caos social e da injustiça que aflige todo o planeta, somos tentados a agir de forma inescrupulosa em nossos negócios, nas questões judiciais e em tantos outros seguimentos onde queremos levar vantagem em tudo.
Este salmo de Asafe é acima de tudo uma glorificação a Deus por causa de uma libertação alcançada pelo salmista. Observemos que nos vs.1-3 ele diz que Deus é bom e que por um momento seus pés quase se desviaram por ter invejado a prosperidade dos ímpios.
A composição, portanto, vem de um adorador amadurecido e convicto de que a bondade de Deus não está atrelada ao que Ele pode dar, mas ao que Ele simplesmente é.

Os enganos do mundo

O homem quer ter porque o mundo aceita mais quem pode oferecer mais. Havia uma frase de um comercial de TV que dizia: “O mundo trata bem, quem se veste melhor!”. Vivemos num mundo que dita regras de consumo e acabamos por ser inundados por uma filosofia do ter para ser.
Ou seja, eu preciso ter o carro do ano; eu preciso ter um computador de última geração; eu preciso ter uma roupa, um sapato como aquele; e por aí vai.
O salmo nos mostra que esta mesma visão distorcida havia roubado o coração do salmista. Asafe pondera aspectos da vida que o fizeram desviar do foco por algum tempo e acreditando nas coisas que o mundo oferece, esqueceu-se de como Deus é bom. Essas coisas são bem conhecidas por todos nós: Saúde (vs.4-5); proeminência (status) (v.6); poder (vs.7-11); dinheiro (v.12).
De fato, essas são coisas que todos querem na vida. Diante desse quadro a decepção do salmista com a ação de Deus é expressa num lamento: “Certamente foi-me inútil manter puro o coração e lavar as mãos na inocência...” (v.13).
Entretanto, é preciso aprender que servir a Deus não é uma barganha. Pelas palavras de Asafe, fica claro que servir à lei de Deus parecia vão, no que diz respeito à vantagens palpáveis, mas em contraproposta aos enganos do mundo estão as verdades de Deus que são reveladas no texto a partir do v.13 quando surge a palavra ‘até’.

As verdades de Deus

Asafe diz que quando ele entrou no santuário de Deus, compreendeu o destino dos ímpios. Na verdade, Asafe era um músico, talvez um líder do louvor e estava sempre no templo! Entrava e saia do templo constantemente! Mas, um dia, de uma forma muito especial, entrou ali e Deus falou com ele!
Isso para nós deve ter grande significado. A teologia neotestamentária nos ensina que somos templos do Espírito Santo porque Ele habita dentro de nós.
Para Asafe a luz irrompeu quando se voltou para o próprio Deus, tratando-o não como um objeto de especulação, e, sim, de adoração. Quando o salmista refletiu sobre o fim dos incrédulos ele refletiu que não são mais do que aquilo que eles têm.
Servimos a um Deus eterno, imutável e soberano. Nenhum poder ou riqueza humana pode ser comparado a isso. Precisamos nos lembrar que, numa das parábolas contadas por Jesus, o rico querida trocar de lugar com Lázaro!
Como cristãos precisamos ter uma visão muito clara daquilo que é transitório e daquilo que é eterno. Em I Coríntios 15.19, Paulo diz: "Se é somente para esta vida que temos esperança em Cristo, somos, de todos os homens, os mais dignos de compaixão.”
No salmo, Asafe, agora amadurecido espiritualmente, relata as verdades de Deus quanto ao juízo contra os ímpios (vs.18-20) em contraste com o Seu olhar em favos dos seus, que pressupõe: Presença constante (v.23); direção (v.24); recompensa (v.24).
Entre os pais da igreja, surgiu uma mulher chamada Teresa D’Ávila, que escreveu: “Quem tem a Deus nada lhe falta; Deus é o bastante!”
É a essa reflexão que o salmista nos remete quando diz: A quem tenho nos céus senão a ti? E na terra, nada mais desejo além de estar junto a ti. O meu corpo e o meu coração poderão fraquejar, mas Deus é a força do meu coração e a minha herança para sempre. Os que te abandonam sem dúvida perecerão; tu destróis todos os infiéis. Mas, para mim, bom é estar perto de Deus; fiz do Soberano Senhor o meu refúgio; proclamarei todos os teus feitos.” (vs.25-28)
Conclusão 

Deus não recompensa nossa fidelidade com coisas. Deus nos recompensa consigo mesmo!
Na vida presente podemos contar com a presença constante de Deus. Suas mãos nos segura e o seu conselho nos guia. Ele é a nossa fortaleza e a nossa herança e quando deixarmos esta vida terrena para ingressarmos na vida celestial, apenas estaremos entrando de forma mais plena e mais absoluta na posse de nossa herança.
Na verdade, este salmo é a historia da busca desesperadora de um homem que acabou por receber uma recompensa acima de toda expectativa. O que o nosso Deus tem para nos oferecer é acima de qualquer comparação às coisas que este mundo pode nos dar.
Agora, à luz desta compreensão, podemos voltar com um novo entendimento à primeira exclamação do salmista e como ele, ter a percepção de quem é o Deus a quem servimos: “Certamente Deus é bom para Israel, para os puros de coração.” (Sl 73.1).

TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO OU TEOLOGIA DA GRAÇA?



TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO OU TEOLOGIA DA GRAÇA?

Jó 42.1-6

INTRODUÇÃO

É curioso que, em nossas Bíblias, o livro de Jó vem imediatamente após Ester. Parece que há um sentido nessa ordem. Em Ester, Deus não é mencionado. Permanece oculto. Em Jó, Deus é mencionado no início do livro, mas permanece oculto durante o debate entre Jó e seus amigos, manifestando-se somente no final da obra.
Ora, se em Ester Deus parece não agir, em Jó parece que Ele demora a agir. Mas o princípio permanece: Em Ester, mesmo quando parece que Deus está ausente, na verdade, Ele está presente nas entrelinhas da história. Em Jó, mesmo quando parece que Ele demora a intervir no sofrimento humano, Ele certamente o fará.
A grande pergunta e tema central do livro é: “Por que o servo sofre?”
Grandes mistérios existem em relação ao livro de Jó. Um deles é se a história de fato aconteceu ou se trata-se de uma parábola. Outro é sobre a sua autoria. Seu autor pode ter sido Moisés, Salomão ou Jeremias. É mais provável que ele tenha vivido na era patriarcal.


A PROVA DE JÓ

A bíblia diz, a partir de Jó 1.6, que em um dia em que os anjos vieram se apresentar na presença de Deus, Satanás veio entre eles e suscitou uma dúvida sobre a gratuidade da devoção de Jó (1.9): Será que Jó temia a Deus por motivação material? Será que Jó amava mais as bênçãos de Deus do que o Deus das bênçãos? Essa foi a questão levantada por Satanás.
Afinal, os vs.1-5 contam da integridade de Jó em relação a Deus e toda sua riqueza e glória.
Mas Deus aposta na integridade do seu servo Jó, e permite Satanás tocar nos bens, nos empregados e nos filhos do patriarca. Nos vs.13-19, lemos a tragédia que subitamente pairou sobre Jó. São quatro mensageiros anunciando quatro desgraças; ou seja, Jó havia perdido todos os seus bens: bois, mulas, ovelhas, camelos, empregados, filhos e filhas. De rico e próspero, Jó se torna pobre e sem futuro.


A REAÇÃO DE JÓ

Qual foi a reação de Jó? Vejamos o que diz 1.20:
- Em primeiro lugar, ele “se levantou”. É preciso dar o primeiro passo.
- Em segundo lugar, ele “rasgou o manto”. Este manto parece ser uma vestimenta usada por pessoas notórias. Ao rasgá-lo, Jó reconhece que perdeu a notoriedade financeira.
- Em terceiro lugar, ele “rapou a cabeça”. Na Escritura, o cabelo é símbolo do valor do indivíduo. Rapar a cabeça é, portanto, um símbolo da perda da glória pessoal. Neste caso, é um gesto de luto. Jó perdeu seus filhos, sua glória pessoal.
- Em quarto lugar, Jó “prostrou-se no chão”, num gesto de adoração.
- Em quinto lugar, ele orou (v.20). Em sua oração, Jó reconhece que veio nu ao mundo, e morrerá nu (conforme I Tm 6.7,8). Nesse ponto, é oportuna uma observação de Charles R. Swindoll: “Nada temos ao nascer; nada temos ao partir. Tudo o que possuímos nesse intervalo nos é dado pelo Doador da vida.” Tudo que temos é por empréstimo.

No cap.2, os anjos se apresentam novamente, e entre eles, Satanás mais uma vez se infiltra. Deus argüi o adversário, mostrando-lhe que Jó se mantém íntegro e reto (v.3).
Mas, já está provado que Jó teme a Deus independente das bênçãos. Realmente ele serve a Deus “por nada”. Por isso, é inútil o inimigo tocar nos bens de Jó, uma vez que ele continua sendo fiel a Deus. Então Satanás lança outro desafio: “Pele por pele” (v.4). Trata-se de um provérbio usado na permuta de couros de animais. O sentido parece ser este: assim como as peles eram trocadas num mercado, o ser humano está disposto a trocar tudo, inclusive sua devoção a Deus, por causa de sua vida. Essa era a crença de Satanás. Ele também acreditava que Jó certamente blasfemaria contra Deus, caso fosse tocado em seu corpo físico (v.5).
Mas, mais uma vez, Deus confia em seu servo Jó, entregando-lhe nas mãos de Satanás para ser ferido. É notável que Satanás não tenta Jó a pecados que firam a moral ou a ética, como imoralidade sexual, ódio, violência, etc; antes, Satanás incita Jó a ser desleal a Deus. Este é o padrão de Satanás – ele tenta tocar na raiz do problema, ou seja, o relacionamento de Jó com Deus. Ele continua a fazer isso!
Quando Jó pleiteia com Deus a razão de seu sofrimento, nem sequer por um momento, menciona Satanás. A palavra final é de Deus. Satanás não é mais mencionado no livro. O poder está com Deus, e não com Satanás. Por isso, impressiona-me como muitas igrejas contemporâneas falem mais do Diabo do que de Deus. Talvez elas dêem mais poder a Satanás do que ele realmente tem.


TEOLOGIA DA RETRIBUIÇÃO?

A teologia retributiva diz que todo sofrimento é resultado de algum pecado. Elifaz, Bildade e Zofar – os amigos de Jó – enquanto se assentaram calados estavam corretos. Mas, quando começaram a falar afirmaram erroneamente: Se Jó sofre, é porque cometeu algum pecado grave!
Alguém disse que os amigos de Jó estavam “mais preocupados em salvar a doutrina da retribuição do que em sofrer junto com Jó”.
Entretanto, quando Deus responde, ele não o faz para explicar a razão do sofrimento, mas onde nossa esperança deve descansar em meio ao sofrimento.


A COMPREENSÃO DA GRAÇA DE DEUS!

No texto base da meditação, Jó amadurecido diante das respostas de Deus, faz afirmações que podem abrilhantar a nossa fé e nos aproximar daquele em quem podemos descansar nossos anseios e sofrimentos:

A Soberania de Deus (vs.2-3)
Primeiramente Jó afirma a soberania divina, mesmo sem compreender seu agir. Ele diz no v.2: “Sei que podes fazer todas as coisas; nenhum dos teus planos pode ser frustrado.”
A palavra ‘sei’ no original significa ‘compreender’. Assim Jó compreendeu que ele não compreendeu! Isso porque no v.3, lemos: “Quem é esse que obscurece o meu conselho sem conhecimento? Certo é que falei de coisas que eu não entendia, coisas tão maravilhosas que eu não poderia saber.”
Frente à grandiosa soberania divina, Jó apresenta sua incompetência de compreensão. O final do v.3 poderia até ser traduzido assim: “Eu não entendia aquele que faz maravilhas diante de mim, e não compreenderei”.

O Conselho de Deus (v.4)
Agora, Jó afirma estar pronto não mais para perguntar, mas para aprender. No v.4, Jó cita as palavras de Deus para ele: “Agora escute, e eu falarei; vou fazer-lhe perguntas, e você me responderá.”
Jó jogou fora o espírito inquiridor, que falava e perguntava coisas sem sentido, e o substituiu por um coração quebrantado, disposto a ser ensinado pelo Senhor.
Por mais que o caminho no qual trilhamos seja obscuro, e de imediato não consigamos ver o seu fim, precisamos nos apegar nas mãos do nosso Pai celestial, e confiar na direção Dele, tal qual uma criança que confia piamente na segurança das mãos de seus pais.

A manifestação de Deus (v.5)
Jó afirma ter uma nova percepção de Deus. Quando estava nas cinzas, Jó desejou ver Deus (Jó 19.25-26). Entretanto, agora ele pode dizer com segurança no v.5: “Meus ouvidos já tinham ouvido a teu respeito, mas agora os meus olhos te viram.”
Veja que Jó não precisou receber tudo de volta para enxergar a manifestação de Deus. Ele ainda estava nas cinzas, mas seus olhos viam a Deus. Sua restauração só aconteceria depois (42.10-17). Ele ainda sentia a dor física; suas feridas ainda estavam abertas. Ele ainda estava abandonado por seus amigos e sofria a discriminação de pessoas que feriam seu emocional.
Mesmo assim, ele pôde dizer: agora eu vejo a Deus! Não devemos esperar a reabilitação para sentirmos a manifestação de Deus em nossas vidas. Deus está conosco em meio ao sofrimento.

A graça de Deus (v.6)
Finalmente, Jó afirma estar arrependido: “Por isso menosprezo a mim mesmo e me arrependo no pó e na cinza.” (v.6).
É importante entender que Jó não se arrependeu de nenhum pecado, mas abandonou seu juramento firme de inocência, parou de advogar em causa própria contra Deus. Agora já não são mais dois oponentes. Jó se afasta da beira da arrogância. A reconciliação está a caminho.
É evidente que a graça conforme Jesus manifestaria em sua vinda estava muito longe de acontecer. Porém, foi a graça de Deus que acompanhou Jó durante sua história e é a mesma graça que quer nos conduzir a um relacionamento íntimo com o Senhor, despido de qualquer interesse nosso para com Ele.


CONCLUSÃO

Para encerrar, as palavras de Paulo aos crentes Filipenses podem nos orientar quanto à compreensão do alcance da graça do Senhor em nosso favor; não por e nem para nossos méritos, mas para que a Sua glória se manifeste em e através de nós: Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras, para que ninguém se glorie.” (Efésios 2.8-9)

A PROVIDÊNCIA DE DEUS



A PROVIDÊNCIA DE DEUS


Ester 4

Introdução    

Uma das coisas que mais nos marca em relação a atuação de Deus em nossas vidas é pensar que a sua providência vem em nosso favor. Sabemos que sempre podemos esperar no Senhor e descansar em Sua manifestação em nosso favor.
Porém, na prática nem sempre é assim pelo menos por dois fatores. Um, porque embora a bíblia esteja repleta de textos que falam que Deus sempre age em nosso favor, por vezes nos apressamos e não aguardamos em Deus. Dois, porque muitas vezes o contrário também é verdade, ou seja, achamos que descansar em Deus é cruzar os braços e optamos por não fazer nada, esperando que Ele faça tudo por nós.
A história de Ester é uma lição bíblica da providência de Deus em favor de seu povo, ao mesmo tempo em que nos ensina quais atitudes devemos tomar, ou seja, qual é o nosso papel dentro desta providência.

A providência de Deus surge diante do impossível

A história bíblica nos conta que quando Mardoqueu informou a Ester o que haveria de acontecer aos judeus esta lhe disse que não poderia comparecer à presença do rei sem que fosse chamada (v.11).
Deus age no impossível. E por que isso? Penso que seja por duas razões: A primeira é a de que Deus não fará aquilo que cabe a nós fazermos. A segunda é que ele quer que reconheçamos a cada dia a nossa pequenez.
Quando Paulo escreveu a segunda carta aos Coríntios ele disse: Por isso, por amor de Cristo, regozijo-me nas fraquezas, nos insultos, nas necessidades, nas perseguições, nas angústias. Pois, quando sou fraco é que sou forte”. (II Co 12.10).
Quando Maria recebeu a notícia através do anjo de que geraria Jesus Cristo do Espírito Santo, antes mesmo que duvidasse daquela palavra, ele avisou-a de que sua prima Isabel que era estéril estava grávida de seis meses. Diante do olhar abismado de Maria, o anjo acrescentou: “Pois nada é impossível para Deus.” (Lc 1.37).
Humanamente, Ester não poderia mais comparecer à presença do rei, porém, para Deus não há impossíveis.

A providência de Deus surge diante da reflexão

Quando Mardoqueu recebeu a resposta de Ester, deixou claro de que ela era a melhor opção de intercessão junto ao rei naquele momento. A palavra de Mardoqueu é surpreendente: "Não pense que pelo fato de estar no palácio do rei, de todos os judeus só você escapará, pois, se você ficar calada nesta hora, socorro e livramento surgirão de outra parte para os judeus, mas você e a família de seu pai morrerão. Quem sabe se não foi para um momento como este que você chegou à posição de rainha?" (vs.13,14).
Como podemos perceber, a confiança que Mardoqueu tem no livramento dos judeus baseia-se na soberania de Deus ao levar adiante Seus propósitos e cumprir Suas promessas. O livramento viria; ainda que não fosse por meio de Ester. Portanto, é claro no contexto que há relação entre a soberania divina e a responsabilidade humana.
Em meio às aflições precisamos parar para refletir. Foi o que Mardoqueu fez e ainda levou Ester a fazê-lo. Foi também o que José fez ao dizer a seus irmãos que tudo o que lhe aconteceu foi para que trouxesse vida à terra. Nossa ansiedade muitas vezes põe tudo a perder e precisamos confiar que o Senhor fará a Sua parte e nós devemos fazer a nossa.

A providência de Deus surge diante da oração

Não há providência de Deus se não orarmos. Precisamos crer que Ele pode fazer e buscá-lo em oração. Jeremias 33.3 nos conforta: Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece”.
Quando Ester ficou se viu diante daquela terrível circunstância pediu a Mardoqueu que convocasse ao povo a que orasse e jejuasse em seu favor por três dias (vs.15,16). É uma proposta de culto, portanto. E culto é sacrifício. É por isso que Ester também decidiu-se por jejuar junto com suas criadas mesmo estando no palácio e desfrutando das iguarias do reino.  
A oração é a chave que abre as portas do céu. Se existe algo que Deus não suporta é um coração contrito. Uma ação que é precedida de oração e de um exame de consciência não contém presunção.

A providência de Deus surge diante da submissão

Quando Ester clamou ao povo que jejuasse e orasse disse a Mardoqueu: “Depois disso irei ao rei, ainda que seja contra a lei. Se eu tiver que morrer, morrerei.” (v.16)
A palavra submissão pode ser muito bem o sinônimo perfeito para a palavra discípulo.
Hoje vivemos um tempo de determinismo religioso. Ester está tão disposta a morrer, como Sadraque, Mesaque e Abede-Nego na fornalha, como Estevão diante do Sinédrio, como Paulo e Pedro diante dos reis e como Jesus diante da cruz. Todos esses oraram pedindo a interferência de Deus. Porém, todos estavam dispostos a receber de forma submissa a providência de Deus – ainda que fosse a morte!
Tem sido assim conosco também? Vejo que muitas de nossas orações são para termos a interferência de Deus em nossos desejos, mas não estamos preparados para morrer pela causa de Deus.
O lugar mais elevado onde um homem pode estar é inclinado na presença de Deus. Quando nos submetemos, Deus age em favor do seu povo. Submeter-se é orar e permitir livremente o agir de Deus sobre nossas vidas e sobre as circunstâncias que nos rodeiam.

Conclusão 

A história de Ester é uma lição da providência de Deus em relação ao Seu povo no meio de uma nação pagã. Aliás, o tema do livro é conhecido como “O Cuidado Providencial de Deus”. Deus olhou por Sua nação e a protegeu com Sua providência através de Ester e Mardoqueu, livrando-a das mãos de Hamã, o perverso imediato do Rei Xerxes.
Deus participa dos acontecimentos do mundo para salvar o Seu povo do mal e cumprir seus propósitos redentores em seu favor. Todos os crentes devem lembrar que Deus está no controle do que acontece até o cumprimento total de Sua história.
Nessa história temos a nossa função e devemos encará-la como um encargo para ser usado em beneficio dos outros. Fomos criados para as boas obras, as quais Deus preparou para nelas andarmos.
Que essa lição da providência de Deus possa ser guardada em nossos corações sabendo que Deus sempre estenderá a mão em favor do Seu povo.
“Vejam! O braço do Senhor não está tão curto que não possa salvar, e o seu ouvido tão surdo que não possa ouvir.” (Is 59.1)