terça-feira, 8 de novembro de 2011

OUÇA A VOZ DE DEUS!

OUÇA A VOZ DE DEUS!

II Crônicas 18.1-27

INTRODUÇÃO

Temos vivido tempos difíceis onde muito se tem falado como voz profética para os nossos dias, mas muito do que existe não tem nada disso. Existem pessoas pregando em nome de Deus sem a assinatura de Deus.
Este texto mostra que a voz do povo não é a voz de Deus. Mostra também que nem sempre onde há multidões é que Deus está. Mostra ainda que Deus cumpre seus propósitos mesmo que o homem diga não.

BUSQUE A DEUS

O texto mostra a riqueza de dois reis aliados: Josafá e Acabe. O texto mostra ainda que Acabe tinha riqueza, mas Josafá tinha riqueza e honra. Acabe o convida para uma batalha contra Ramote-Gileade. Não planeja, não pensa, não busca a Deus. Simplesmente decide guerrear. Josafá planeja primeiro pedir a orientação de Deus (v.4).
Queremos respostas, mas não buscamos a Deus verdadeiramente como quem pode nos trazer a solução melhor. Buscamos a Deus porque queremos a solução que achamos mais conveniente.
Isso me faz pensar no seguinte texto: “Clame a mim e eu responderei e lhe direi coisas grandiosas e insondáveis que você não conhece.” (Jr 33.3) Ora, se Deus vai responder coisas que não conhecemos, é possível que essas coisas sejam diferentes daquelas que pensamos.
Antes de querer saber se iriam vencer ou perder a batalha, Josafá quis que Deus fosse consultado se deveriam sair ou não para a batalha.
Deus precisa ser buscado ainda antes do primeiro passo. De nada adiantaria clamar no meio da batalha. Precisamos buscar a vontade de Deus antes de agir. Quando a turbulência vier, Deus estará lá.

DISCIRNA A DEUS

Acabe reuniu seus quatrocentos profetas e lhes perguntou se deveriam ou não ir à batalha contra Ramote-Gileade. Eles disseram: “Sim, pois Deus a entregará nas mãos do rei.” (v.5)
Existem muitas pessoas que hoje não estão discernindo mais a voz de Deus. Muitos acham que Deus fala em meio ao muito falar, muito barulho. Confesso que a maior manifestação do Espírito Santo que presenciem aconteceu no silêncio de uma reunião com cerca de 100 jovens e adolescentes.
Vivemos tempos de êxtase e às vezes a emoção nos desconcentra em relação à razão.
No sermão do monte Jesus disse quanto à oração: “E quando orarem, não fiquem sempre repetindo a mesma coisa, como fazem os pagãos. Eles pensam que por muito falarem serão ouvidos.” (Mt 6.7)
São muitas vozes. No meio delas todas, precisamos discernir qual é a voz de Deus.
Quando Josafá viu aqueles profetas em uma só voz garantindo a vitória ao rei Acabe ele perguntou: “Não existe aqui mais nenhum profeta do Senhor a quem possamos consultar?” (v.6)
Mais interessante do que a pergunta é a resposta de Acabe no v.8: "Ainda há um homem por meio de quem podemos consultar o Senhor, porém eu o odeio, porque nunca profetiza coisas boas a meu respeito, mas sempre coisas ruins. É Micaías, filho de Inlá".
A história se repete. A voz é profética quando é em nosso favor! A voz é profética quando não condena nossos erros, mas nos mostra só as conquistas!
Entretanto, nos esquecemos que para conquistar é preciso lutar. Acho muito estranho que em um ano alguém possa sair de um salário de R$ 1.000,00 para R$ 10.000,00; de um Uno para um Honda Civic, de uma casa de dois ou três cômodos, para uma mansão num condomínio fechado! Sem lutas, não há conquistas!
Precisamos aprender a discernir a voz de Deus. A morte de Acabe estava prevista por Micaías, não porque ele era um profeta pessimista, mas porque o rei fazia coisas que desagradavam a Deus e o Senhor não ouvir mais o seu clamor. “Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá” (Is 59.2). Às vezes Deus não responde porque estamos em falta com ele. Para isso, precisamos de discernimento.

OUÇA A DEUS

O último passo, após discernirmos a voz de Deus é ouvir a voz de Deus. Ouvir, evidentemente pressupõe estar atento para obedecer.
Os vs.16-22 mostram uma teologia difícil de ser compreendida.
Entretanto, se pensarmos no grande conflito entre o bem e o mal compreenderemos que para qualquer coisa que Satanás venha a fazer ele necessita de uma autorização de Deus para efetuar os seus enganos. Então, no episódio, o agente foi na verdade Satanás, mas a autorização foi dada por Deus. O Salmo 34.7 orienta que “O anjo do Senhor acampa-se ao redor dos que o temem e os livra”. Mas Acabe não estava respeitando mais a Deus em sua vida; o havia rejeitado inúmeras vezes. Então Deus não pôde protegê-lo contra esta cilada do inimigo.
Micaías, depois de sofrer uma injusta e severa punição, diz ao rei Acabe no v.27: “Se você voltar realmente em segurança, o Senhor não falou por meu intermédio (...) Ouçam o que eu estou dizendo.”
A orientação de Deus era para recuar. Muitas vezes Deus nos diz não e não aceitamos essa orientação. Quando fazemos isso, o resultado pode ser desastroso. Veja o que diz o texto nos VS.28-34 a respeito do fim do rei Acabe.

CONCLUSÃO

Quero terminar essa meditação com a seguinte pergunta: Deus ainda fala? Precisamos aprender a ouvir os sussurros de Deus como bem diz o Pr. Bill Hybels. Deus falou no passado e continua a falar nos nossos dias. Precisamos aprender a buscar a sua voz, discernir a sua vontade e ouvir atentamente para obedecer suas ordenanças. Isso sim é uma vida de fé!”
“Peçam, e lhes será dado; busquem, e encontrarão; batam, e a porta lhes será aberta. Pois todo o que pede, recebe; o que busca, encontra; e àquele que bate, a porta será aberta.” (Mt 7.7-8).

Pr. Elias M. Santos – 06/10/2011

O VERDADEIRO DESPERTAMENTO ESPIRITUAL



O VERDADEIRO DESPERTAMENTO ESPIRITUAL

II Reis 23.1-25

Introdução

Temos observado que os cristãos de nossos dias têm falado muito sobre despertamento espiritual como se ele pudesse vir num passe de mágicas, que pode ocorrer em um só culto, numa campanha, num acampamento ou num congresso.
Porém, nunca aconteceu dessa maneira na história da Igreja (John Huss – sec. XV; Lutero – sec. XVI; Jonathan Edwards e George Whitefield – sec. XVII; os Pentecostais em 1901).
Se atentarmos para o ensino bíblico, veremos que isso somente é possível de forma gradativa. Jesus mesmo nos ensinou que a árvore boa se demonstra através dos frutos que produz (e eles não nascem da noite para o dia).
Da mesma maneira, o verdadeiro despertamento espiritual vai acontecendo na vida, dia após dia. Em resumo, despertamento espiritual é decisão e postura.
Este texto bíblico pode nos ensinar o caminho para experimentar em nossas vidas o genuíno despertamento espiritual.

Despertamento espiritual começa com uma atitude (vs.1-2)

O texto conta a história do rei Josias que começou a reinar aos 8 anos de idade. A reforma espiritual no reino que ele promoveu, aconteceu quando já tinha 26 anos de idade.
Algumas razões levaram Josias a promover tal despertamento espiritual em Judá:
A primeira é que o reino do norte já havia sofrido severas punições por não obedecer a Deus, culminando com o cativeiro na Babilônia.
A segunda razão foi que o livro da lei havia sido encontrado por Hilquias, o sumo sacerdote, quando este cuidava de reparar os estragos do templo (II Reis 22.8-11).
O povo estava tão distante de Deus que até o livro da Lei havia se perdido!
Josias envolveu a todos na busca do despertamento espiritual como se verifica no v.2.
Tudo começa com um reconhecimento e uma atitude. Primeiro vemos o quão distante nos encontramos dos propósitos que Deus tem para nós e depois damos o primeiro passo, assim como fez o rei. A verdade é que precisamos primeiro querer!
É necessário intimidade com Deus para que possa haver despertamento e isso só acontece através de relacionamento. Josias leu a leu diante do povo. Precisamos buscar ao Senhor em oração e leitura da Palavra.
Não se concebe despertamento espiritual de forma passiva. Muitos o querem, mas não o buscam. Deus quer ver corações contritos e abertos para receber o Seu toque.

Despertamento espiritual tem base certa (v.3)

O povo judeu é levado pelo rei a fazer um novo pacto com Deus. Nele está a base certa.
Muitos projetos e eventos para despertamento espiritual são promovidos, mas não dão certo porque a base não está em Deus.
Às vezes se baseiam no líder que está à frente. Ás vezes no novo templo que foi construído. Às vezes num novo ano que se inicia.
O verdadeiro despertamento espiritual é aquele que tem como base o que está contido no v.3: “seguir o Senhor e obedecer de todo o coração e de toda a alma aos seus mandamentos, seus preceitos e seus decretos”.
A lei de Deus era para o povo judeu o regulamento espiritual para a vida humana em comunidade. O povo judeu se arrependeu e voltou-se para Deus. Isso era o que de fato importava.
Hoje, a bíblia, é o direcionamento de Deus para nossas vidas. Se ela não gerar em nós arrependimento de nada valerá.
A pergunta é: para quê você quer um despertamento espiritual em sua vida? Para simplesmente alcançar bênçãos materiais, ou para ter uma vida de intimidade com Deus seguindo-o e obedecendo-o de todo o coração e de toda alma?

Despertamento espiritual muda nossas vidas (vs.4-24)

O rei não ficou só no projeto. Passou da intenção à ação. Não basta conscientizar-se do erro. É preciso agir contra ele.
O texto nos mostra muitos atos de Josias no sentido de restaurar a espiritualidade e trazer o despertamento ao povo. Vejamos alguns deles:
- Mandou que tirassem do templo todos os utensílios que tinham sido dedicados aos deuses Baal e Aserá (v.4);
- Eliminou sacerdotes pagãos (v.5);
- Destruiu o local onde as prostitutas cometiam seus atos de prostituição como forma de culto a Aserá, deusa Cananéia (v.7);
- Destituiu e matou os sacerdotes que prestavam cultos a ídolos (vs.5,8,9,20);
- Destruiu diversos altares erguidos por reis que lhe antecederam, os quais eram utilizados para a prática de cultos pagãos (v.12);
- Eliminou médiuns, espíritas e ídolos de famílias (v.24);
- Todos os lugares chamados sagrados onde eram adorados Baal e Aserá foram profanados pelo rei para não mais ser usados (vs.10,13,14,16).
É por isso que o despertamento espiritual é gradativo. Muitas pessoas se dizem despertadas em certos eventos, mas quando o dia amanhece não praticam nada do que ouviram; sequer mudam seus pequenos hábitos errados!
Muitos de nós fazemos compromissos com Deus, mas, na hora de colocá-los em prática, ficamos na teoria.
O verdadeiro despertamento espiritual precisa de atitudes concretas e não apenas intenções de santidade. Ele gera o desejo de fazer mudanças radicais em nossas vidas, tirando tudo aquilo que não presta e que desagrada a Deus.

Despertamento espiritual culmina em atitudes de adoração (vs.21-23)

Uma vez que aquilo que impedia a comunhão com Deus havia sido removido, o povo agora podia prestar um verdadeiro culto a Deus. O texto ressalta que a festa da páscoa voltou a ser comemorada de forma tão grandiosa como no passado.
O verdadeiro despertamento transborda, extravasa em nossas vidas e a adoração se torna algo naturalmente contagiante.
Veja que o despertamento espiritual não começa com adoração. Termina com ela, como resultado de uma vida em busca da santa perfeição.

Conclusão (mortos na igreja?)

Temos duas opções: Ou continuamos a viver uma vida cristã medíocre ou pedimos a Deus um despertamento espiritual e começamos a viver uma nova vida, experimentado os sonhos de Deus para nosso futuro. Certamente esta segunda opção será muito mais trabalhosa, mas como enriquecerá nossas vidas!
"Desperta, ó tu que dormes, levanta-te dentre os mortos e Cristo resplandecerá sobre ti". (Ef 5.14)
Pr. Elias M. Santos – 08/09/2011

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

ESTOU INDIGNADO

Amigos, li esta matéria que recebi hoje e quero compartilhar. Diz assim o escritor tão indignado quanto eu:
"Os milagres iriam acontecer com a chegada do 'apóstolo de Deus'. Um vizinho que está em estado terminal com cancêr no estômago foi levado ao palco onde estava o 'apóstolo'. Antes, porém, recebeu um carnê para contribuir e sustentar o ministério do tal 'apóstolo. Primeiro o carnê, depois a oração e, em seguida, a cura. Sem carnê, Deus não responde. Terminada a 'oração poderosa' o vizinho foi declarado curado. A família o trouxe de volta ao lar e ao leito de dor. Semanas depois médicos em Campinas removeram o seu estômago que estava todo tomado pelo cancêr. A vida dele esta definhando, mas, o carnê está em dia. Quem sabe depois de quitado a cura virá? As vítimas das pseudo-curas não conseguem crêr em Jesus como único Salvador. Sentem-se ludibriadas por Deus. Afinal, o 'homem de Deus' declarou a cura e Deus não a executou! O missionário tem bom coração, mas Deus é cruel, pois não atendeu a súplica do 'santo homem de Deus'..."
(Neste momento, me vem à mente as palavras do apóstolo Paulo "homem de Deus" e tão servo quanto eu: "Pois vocês são salvos pela graça, por meio da fé, e isto não vem de vocês, é dom de Deus; não por obras para que ninguém se glorie." - Efésios 2.8,9)
Deus nos abençoe!
Pr. Elias

sábado, 27 de agosto de 2011

É preciso saber viver

É PRECISO SABER VIVER!

I Reis 3.5-15

Introdução

Há uma música entre as mais famosas de Roberto Carlos, eternizada em sua voz e a não muitos anos regravada pelos Titãs que diz o seguinte:
Quem espera que a vida
Seja feita de ilusão
Pode até ficar maluco
Ou morrer na solidão
É preciso ter cuidado
Pra mais tarde não sofrer
É preciso saber viver...
Realmente existem verdades na letra desta canção. Para viver bem precisamos de sabedoria.
A história que estamos por ver nos mostra um rei que foi sábio ao pedir e isso lhe rendeu ainda mais sabedoria.
Sabedoria não se compra e não se compara. Sabedoria não é conhecimento. Conhecimento se adquire com pesquisas, sabedoria se adquire com a vida. Muitos são curiosos por conhecer, mas poucos têm anseio por sabedoria porque ela muitas vezes confronta nossas convicções.
Porém, a bíblia nos ensina a sempre agir com sabedoria. Temer a Deus é o primeiro passo em direção à sabedoria:
“O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; todos os que cumprem os seus preceitos revelam bom senso.” (Sl 111.10).
“O temor do Senhor é o princípio do conhecimento, mas os insensatos desprezam a sabedoria e a disciplina.” (Pv 1.7)

A síndrome da lâmpada

Quando lemos a história de Salomão vemos que ele reconheceu sua tenra idade – possivelmente cerca de 20 anos (v.7) – e sua falta de maturidade para dirigir o povo e pediu a Deus em um sonho, sabedoria (v.9).
Salomão era rico, príncipe, rei por dinastia e por determinação profética. Entretanto, era humilde. Sabia que tudo isso ainda não era o bastante e não poderia dirigir o povo sem a supervisão e orientação de Deus. É o que ele diz no final do v.9: “Pois, quem pode governar este teu grande povo?”
A resposta de Deus é que me chama a atenção. Deus vai lhe dar sabedoria acima da sabedoria de qualquer pessoa de sua época.
Porém, qual foi a razão de Deus conceder a Salomão tanta sabedoria? O próprio texto bíblico vai responder.
Tenho certeza de que todos conhecem a famosa estória inserida nos contos das “Mil e Uma Noites” sobre Aladim e a lâmpada maravilhosa. Quando a lâmpada era esfregada saía um gênio de dentro dela e as pessoas tinham direito a três pedidos.
Agora, pense: Se da mesma forma, Deus lhe aparecesse e lhe dissesse que você tem direito a três desejos, o que pediria?
É a isso que chamo de ‘síndrome da lâmpada’.
Deus conhece o coração do homem e sua soberba. Provérbios 16.18, diz: “O orgulho vem antes da destruição; o espírito altivo, antes da queda.”
Veja o que Deus diz sobre nosso coração ganancioso, a partir do sonho de Salomão, e observe que essas são as coisas que agradam ao coração do homem, a ponto de fazê-lo esquecer-se de buscar o que realmente importa, ou seja, a sabedoria que vem de Deus:
Vida longa
No v.11, primeiramente Deus diz que daria sabedoria a Salomão porque ele não havia pedido uma vida longa.
Muito poderíamos meditar sobre isso. Lá no princípio, após o pecado original, Deus tirou o homem e a mulher do jardim do Édem para que não comessem também da árvore da vida: “Então disse o Senhor Deus: "Agora o homem se tornou como um de nós, conhecendo o bem e o mal. Não se deve, pois, permitir que ele também tome do fruto da árvore da vida e o coma, e viva para sempre’.” (Gn 3.22)
Matusalém foi o homem que mais viveu na terra – 969 anos – entretanto, que história nos deixou?
Será que viver muito é sinônimo de viver bem? Beethoven morreu aos 57 anos. Spurgeon aos 58 anos. Martin Luther King viveu apenas 39 anos. Poucos anos, entretanto, um grande legado! Agora pergunto: Sua vida tem valido a pena?
O salmo 90 diz: “Ensina-nos a contar os nossos dias para que o nosso coração alcance sabedoria.”
Infelizmente o pecado de Salomão o enterrou. Ele não deve ter vivido muito mais do que 60 anos de idade. Nunca podemos nos esquecer que o salário do pecado é a morte. As pessoas vivem construindo seus castelos, entretanto, se esquecem que, para Deus, eles não passam de castelos de areia. A vida passa e o que se conquistou para quem ficará?
Tiago 4.14, diz: “Vocês nem sabem o que lhes acontecerá amanhã! Que é a sua vida? Vocês são como a neblina que aparece por um pouco de tempo e depois se dissipa.” O melhor é seguir as palavras de Cristo: “Não acumulem para vocês tesouros na terra, onde a traça e a ferrugem destroem, e onde os ladrões arrombam e furtam. Mas acumulem para vocês tesouros no céu, onde a traça e a ferrugem não destroem, e onde os ladrões não arrombam nem furtam.” (Mt 6.19-20)

Riquezas

Ainda, no v.11, Deus diz que daria sabedoria a Salomão porque ele não havia pedido riquezas.
Salomão pediu sabedoria. Deus lhe deu sabedoria e riqueza. Deus quer prová-lo e mostrar-lhe que a sabedoria do mundo é loucura. Ele faz isso lhe dando o que mais corrompe o coração do homem: Achar que pode tudo com o dinheiro!
Paulo dá uma orientação muito especial a Timóteo a respeito do perigo do dinheiro: “Os que querem ficar ricos caem em tentação, em armadilhas e em muitos desejos descontrolados e nocivos, que levam os homens a mergulharem na ruína e na destruição, pois o amor ao dinheiro é raiz de todos os males. Algumas pessoas, por cobiçarem o dinheiro, desviaram-se da fé e se atormentaram a si mesmas com muitos sofrimentos.” (I Tm 6.9,10)
Lembram-se do filme ‘Náufrago’? O personagem achou dinheiro nos pedaços do avião destruído, porém isso não tinha o menor valor para a situação em que vivia naquele momento. O que ele precisava mesmo é de qualquer objeto cortante para simplesmente abrir um coco!
O dinheiro traz uma sensação de segurança, aparente conforto e uma ilusória independência. O dinheiro pode ser benção, mas como tem atrapalhado o crescimento genuíno da obra de Deus! A ganância por ter cada vez mais nos leva, consequentemente, a uma série de outros pecados, pois um abismo chama outro abismo. Um bom exemplo disso são os reality shows onde as pessoas nunca desistem de jogar (Big Brother, A Fazenda, Topa ou Não Topa).
Precisamos pensar: Por que queremos ganhar dinheiro? Confesso que já quis ser rico. Deus me mostrou que a maior riqueza é servir em Seu Reino de glórias eternas!

Vingança

Finalmente, no v.11, Deus diz que daria sabedoria a Salomão porque ele não havia pedido a morte dos seus inimigos.
Um dos sentimentos mais destruidores dos seres humanos é a sede de vingança.
Vivemos num mundo de guerras, de violência em todos os setores, de maldade onde um quer sempre levar vantagem sobre o outro. Isso certamente desagrada o coração de Deus.
Salomão tinha muitas nações inimigas. O simples sopro de Deus poderia afastá-las de seu caminho. Entretanto, ao invés de guerrear ele preferiu fazer alianças com diversos reinos.
O escritor de Hebreus numa menção sobre a perseverança em meio às tribulações da vida traz um ensinamento do AT para a igreja: “Pois conhecemos aquele que disse: ‘A mim pertence a vingança; eu retribuirei’; e outra vez: ‘O Senhor julgará o seu povo’.” (Hb 10.30)
Precisamos aprender a perdoar. Precisamos viver uma vida cristã de verdadeira santidade e vingança não tem parte nesse modo de vida. Chega de “isso não vai ficar assim!”
Precisamos aprender a vencer o mal com o bem, como disse Paulo na carta aos romanos (Rm 12.21).
Observemos o que Jesus nos ensinou sobre a vingança: “Mas eu lhes digo: Não resistam ao perverso. Se alguém o ferir na face direita, ofereça-lhe também a outra. E se alguém quiser processá-lo e tirar-lhe a túnica, deixe que leve também a capa. Se alguém o forçar a caminhar com ele uma milha, vá com ele duas. Dê a quem lhe pede, e não volte as costas àquele que deseja pedir-lhe algo emprestado. Vocês ouviram o que foi dito: ‘Ame o seu próximo e odeie o seu inimigo. Mas eu lhes digo: Amem os seus inimigos e orem por aqueles que os perseguem, para que vocês venham a ser filhos de seu Pai que está nos céus. Porque ele faz raiar o seu sol sobre maus e bons e derrama chuva sobre justos e injustos.” (Mt 5.39-45)

Conclusão

Ao pedir sabedoria, Deus deu a Salomão muito mais (vs.12,13).
Sabedoria se adquire com o tempo. Não é da noite para o dia. Portanto, é preciso persistência. É por isso que o v.14 diz: “E, se você andar nos meus caminhos e obedecer aos meus decretos e aos meus mandamentos, eu prolongarei a sua vida.”
Você quer saber viver corretamente? Então deixe que Deus controle a sua vida e busque a sabedoria que dele vem!
“Se algum de vocês tem falta de sabedoria, peça-a a Deus, que a todos dá livremente, de boa vontade; e lhe será concedida.” (Tiago 1.5)

Passos de um verdadeiro arrependimento

PASSOS DE UM VERDADEIRO ARREPENDIMENTO

II Samuel 12.1-25

Introdução

O arrependimento é um sentimento de duas vias. Ou pode servir para frustração ou para restauração.
Frustração pelo erro cometido às vezes de forma reiterada; entretanto, também de oportunidade para a restauração.
A grande questão que pensamos é: quando, na verdade o arrependimento é verdadeiro? A resposta é: quando gera aprendizado e amadurecimento.
Essa história bíblica pode nos mostrar através da vida do rei Davi os passos certos de um verdadeiro arrependimento.

Cegueira

Antes dos passos de um verdadeiro arrependimento, é importante observar porque muitas vezes eles demoram aparecer.
Davi havia cometido vários pecados conjuntos por conta do desejo que o cegou (II Samuel 11).
O profeta Natã o confronta com uma parábola cheia de significados (vs.1-4) e a resposta de Davi é categórica: “em meu reino se faz justiça (vs.5,6)!”
Davi se vale da Lei para a aplicação da pena ao homem injusto da parábola contada por Natã (pagar quatro vezes, conforme Êxodo 22.1). A lei se aplicaria a todos, menos ao rei?
Diante dessa circunstância é que Natã acusa o rei do seu pecado: “Você é esse homem” (v.7).
Paulo diz que o deus desta era cegou o entendimento dos descrentes (II Co 4.4).
A verdade é que o pecado nos separa de Deus e, muitas vezes, nos faz irreconhecíveis.
Veja que no texto, o profeta Natã diz a Davi (parafraseando): Deus te fez rei, te livrou das mãos e da dinastia de Saul, deu-lhe a melhor casa e as mulheres que quisesse. Deu-lhe toda a nação israelita e toda a tribo de Judá; e, se tudo isso ainda não fosse suficiente, Ele lhe daria ainda mais! Então, porque razão você ainda foi se meter com a mulher do seu vizinho? (vs.7-9)
Muitas vezes nos sentimos fracos e percebemos claramente que Deus não responde nossas orações. Precisamos examinar os nossos corações. Talvez haja pecados não confessados e Eles precisam ser retirados de nossas vidas.
O próprio Davi entendeu isso quando compôs um salmo de arrependimento e contrição por este pecado, dizendo que enquanto ele estava oculto, o seu corpo definhava de tanto gemer, pois, dia e noite a mão de Deus pesava sobre ele. Ele diz que sua força se esgotava como em tempo de seca. (Sl 32).
Ainda o profeta Isaías escreveu: “Vejam! O braço do Senhor não está tão curto que não possa salvar, e o seu ouvido tão surdo que não possa ouvir. Mas as suas maldades separaram vocês do seu Deus; os seus pecados esconderam de vocês o rosto dele, e por isso ele não os ouvirá.” (Is 59.1-2)
Precisamos pedir a Deus que abra nossa visão espiritual e possamos enxergar nossos erros! Só assim poderemos partir para o primeiro passo.
Reconhecimento

A resposta de Davi no v.13 é um claro significado de reconhecimento: “Pequei contra o Senhor!”
O rei Saul também reconheceu o seu pecado ao falar com Samuel. Ele diz em I Sm 15.24,25: “Pequei, disse Saul. Violei a ordem do Senhor e as instruções que tu me deste. Tive medo dos soldados e os atendi. Agora eu te imploro, perdoa o meu pecado e volta comigo, para que eu adore o Senhor.”
Saul queria uma solução rápida. Entretanto, Davi tinha consciência de que isso não era possível.
Quando reconhecemos nosso erro, entendemos que ele deve ser tratado e nem sempre isso acontece de forma instantânea. Algumas feridas levam anos para ser cicatrizadas.
Entretanto, o texto de Provérbios 28.13 nos ensina uma lição muito importante: “Quem esconde os seus pecados não prospera, mas quem os confessa e os abandona encontra misericórdia.”
Tornam-se provações; e as provações geram para nós o próximo passo.

Amadurecimento

O apóstolo Tiago escreveu: “Meus irmãos, considerem motivo de grande alegria o fato de passarem por diversas provações, pois vocês sabem que a prova da sua fé produz perseverança. E a perseverança deve ter ação completa, a fim de que vocês sejam maduros e íntegros, sem lhes faltar coisa alguma.” (Tiago 1.2-4)
Quando Davi tomou consciência de seu pecado, o profeta Natã começou a predizer todas as punições que ele sofreria e que de fato sofreu: a morte da criança gerada pelo adultério (v.14), o assassinato de Amnon por Absalão, filhos de Davi (13.28,29), a execução de Absalão quando este rebelou-se contra o pai (18.9-17) e a execução de Adonias, também filho de Davi (I Rs 2.24,25).
Deus faz isso porque o pecado não pode ser tolerado. Deus ama o pecador, mas odeia o pecado. Deus ouve um coração arrependido, mas é preciso aprender com os erros cometidos.
As dificuldades e provações que enfrentamos por causa dos nossos pecados, podem servir para duas coisas: ou para nos desanimar e fazer desistir de uma vez ou para serem nossas doutrinadoras. A escolha será nossa!
Se escolhermos aprender com elas, estaremos aptos para dar o próximo e derradeiro passo.

Maturidade

Há uma lição preciosa aqui. Quando Davi reconhece seu pecado e aceita a severa punição de Deus, se coloca a orar e jejuar diante do Senhor pela vida do seu filho predito de morte. Porém, Deus cumpre o seu juízo (vs.15-19).
As conseqüências do pecado são desastrosas. Aprendemos ao longo da vida cristã que não existem ‘pecadinhos’ e nem ‘pecadões’, mas as conseqüências variam de acordo com o pecado cometido. Davi matou Urias para ter a sua mulher. A partir daí, a morte passou a assombrar a família de Davi.
Davi perdeu seu filho em sete dias e depois que lhe foi noticiado a sua morte o v.20 diz: “Então Davi levantou-se do chão, lavou-se, perfumou-se e trocou de roupa. Depois entrou no santuário de Deus e o adorou. E, voltando ao palácio, pediu que lhe preparassem uma refeição e comeu.”
Muitas vezes sofremos pelo nosso pecado e clamamos ao Senhor, mas a resposta vem da forma como não gostaríamos. E aí como será? Poderemos ainda cantar: “Te louvarei, não importam as circunstâncias...”?

Conclusão

Só existe uma coisa que Deus não resiste: um coração derramado e arrependido diante dele!
A história conta que Deus deu outro filho a Davi o qual lhe deu o nome de Salomão que significa ‘paz’ e Deus o amou (v.24).
O profeta Natã, que tinha vindo para predizer maldições contra Davi, agora retorna para declarar a benção sobre sua casa e sobre todo o Israel. Ele chama Salomão pelo nome ‘Jedidias’ que significa ‘amado pelo Senhor’.
O arrependimento verdadeiro produz vida, porém, o arrependimento segundo o mundo não passa de um mero remorso: “A tristeza segundo Deus produz um arrependimento que leva à salvação e não remorso, mas a tristeza segundo o mundo produz morte.” (II Co 7.9)
Ha algo do que você precisa se libertar? Então, arrependa-se agora e desfrute da paz, da misericórdia e do amor de Deus em sua vida!
"Porque eu lhes perdoarei a maldade e não me lembrarei mais dos seus pecados." (Jr 31.34)

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Onde está Deus?

ONDE ESTÁ DEUS?

I Samuel 4.1-11 e 7.2-13

Em I Samuel 4 é relatado a história das seguidas derrotas de Israel. É o surgimento de Samuel sobre o fim de Hofni e Finéias, filhos de Eli, contemporâneo de Sansão.
É interessante que a história conta que a arca foi trazida para proteger aos soldados israelitas, mas, parece que não surtiu efeito. Só desgraças (a morte de Eli, as mortes de Hofni e Finéias, a derrota de Israel na batalha) como lemos em 4.15-22.
Mas, onde estava o problema? A arca não era o símbolo da presença de Deus?
Sim, a arca era o símbolo da presença de Deus. Mas, os símbolos servem para nos fazer lembrar algo. Por isso são chamados de memoriais.
Assim é hoje. Assim também foi no tempo bíblico. Os memoriais existem para nos trazer dois tipos de lembranças: ou para celebrar vitória ou para trazer disciplina.
Dois momentos díspares existem entre os capítulos 4 e 7 de I Samuel. No primeiro, embora a arca do aliança estava no meio do povo, a derrota aconteceu e a arca foi tomada pelos filisteus. No segundo, Deus mudou a sorte de Israel, lhe deu vitória sobre o seu maior inimigo, a arca retornou ao povo e uma pedra foi levantada e a ela foi dado o nome de “Ebenézer” que significa “até aqui nos ajudou o Senhor”.
São dois momentos diferentes, envolvendo símbolos que nos trazem lições importantes.


1º Os memoriais não são maiores que o próprio Deus. (4.15-22)

Hoje temos visto muitas pessoas usando diversos “amuletos da fé”, desvirtuando o propósito dos símbolos que não passam de formas de lembrança.
A arca era um símbolo do atributo de Deus relacionado à sua imutabilidade.
Ela seria um símbolo de que Ele sempre estaria com Israel, mas, algo precisava estar muito nítido na mente do povo:
a.) Deus não era a arca.
b.) Deus não estava na arca.
c.) Deus só estaria entre o povo se este fosse fiel, independentemente da presença material da arca.
Mas, não é o que a história nos mostra.
No capítulo 4, os israelitas levam a arca, para a batalha, mas Deus não estava presente. Por isso eles foram derrotados.
Os símbolos existem para nos lembrar de uma contraprestação.
Valeram-se da presença da arca, mas não tinham a presença de quem faria a diferença: O próprio Senhor!
Não é o que ocorre hoje? As pessoas se utilizam dos símbolos, das liturgias, e dos memoriais cristãos ou bíblicos, menos do poder do verdadeiro Deus de forma humilde e com sinceridade de coração. Lembram-se dos símbolos e objetos sagrados. Entretanto, esquecem-se de Deus.


2º Os memoriais servem para nos lembrar os feitos de Deus e de que só Ele deve ser adorado (7.2-6)

Os objetos são somente objetos. Servem tão somente para nossa memória. Como uma aliança de casamento nos lembra de um compromisso maior de reciprocidade e amor para com o cônjuge. Como uma certidão de nascimento que me declara mais que simplesmente um responsável legal; me lembra que tenho o dever de influenciar positivamente na formação do caráter do meu filho.
Os objetos, portanto, servem para nos lembrar, no caso do texto bíblico em estudo, dos feitos do Senhor.
Precisamos aprender a desviar o foco dos líderes e, como igreja, não olhar para homens ou coisas, somente para Deus.
Seguir homens é perigoso. Guiar-se por símbolos pode ser idolatria. Olhar para Deus é garantia de vitória.


3º Os memoriais de Deus são incomparáveis (7.3)

Veja como os símbolos são perigosos quando o coração do homem não está voltado para a compreensão correta: os israelitas tinham a arca naquele local já há 20 anos e Samuel apela para que tirem do meio deles os deuses estrangeiros!
Os memoriais de Deus são incomparáveis! Os símbolos de Deus têm correlação: a serpente de bronze com a cruz, a páscoa com a ceia, a lei com a graça.
Por isso, firmar-se em símbolos do passado é esquecer o objetivo central da salvação que há em Cristo Jesus.


4º Os memoriais nos trazem à mente o passado e nos reposicionam em direção ao futuro (7.12-13)

Samuel ergueu uma pedra entre Mispá e Sem e deu o nome daquele lugar de “Ebenézer” que significa “até aqui nos ajudou o Senhor” e isso tudo nos traz alguns ricos ensinamentos:

1 – Naquele local onde os israelitas haviam sido massacrados 20 anos atrás, agora havia vitória.
Faz lembrar que mesmo tendo perdido batalhas, Israel agora era vencedor.
Paulo nos diz que em tudo somos atribulados, mas não desamparados, ficamos perplexos, abatidos, mas não desanimados.
O memorial nos traz a lembrança nossas lutas que nos fazem amadurecer e reconhecer que, se chegamos até aqui é porque em algum momento tivemos vitória.

2 – Deus cumpre os seus propósitos através de nós ou até mesmo independentemente de nós.
É só traçarmos um paralelo entre as vidas de Hofni e Finéias e a de Samuel que poderemos perceber isso.
Deus cumpriu seus propósitos através deles da maneira como quis, porém, castigou os primeiros e exaltou o último.
Vejamos como Deus usa poderosamente aqueles que o temem: “E a palavra de Samuel espalhou-se por todo o Israel” (4.1a). “A mão do Senhor esteve contra os filisteus durante toda a vida de Samuel” (7.13b).

3 – O memorial nos recoloca em direção ao futuro a partir do momento em que compreendemos que Deus ainda tem muito mais a nos dar se o temermos e confiarmos que Ele fez, faz e continuará a fazer no meio do Seu povo.
Lembremos do que Paulo disse em Efésios 3.20-21: “Àquele que é capaz de fazer infinitamente mais do que tudo o que pedimos ou pensamos, de acordo com o seu poder que atua em nós, a ele seja a glória na igreja e em Cristo Jesus, por todas as gerações, para todo o sempre! Amém!”


Conclusão

Portanto, a pergunta que faço para concluir é “onde está Deus?” Em meio aos símbolos e memoriais? Por acaso podemos aprisioná-lo dentro de ‘objetos sagrados’ que criamos ou que trouxemos no AT?
A resposta é negativa. Deus não pode ser preso aos muros de nossa religiosidade. Deus habita no coração contrito.
Termino essa meditação com as palavras do profeta Samuel ao rei Saul:
“Acaso tem o Senhor tanto prazer em holocaustos e sacrifícios quanto em que se obedeça à sua palavra? A obediência é melhor do que o sacrifício, e a submissão é melhor do que a gordura de carneiros. Pois, a rebeldia é como o pecado da feitiçaria, e a arrogância como o mal da idolatria”. (I Sm 15.22,23).